Pecuária mais sustentável passa pela eficiência alimentar

Pecuária mais sustentável passa pela eficiência alimentar

Autor: Luigi Cavalcanti 
Médico veterinário, doutor em Zootecnia e chefe de P&D da Intergado 

O Brasil assumiu um importante compromisso durante a 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26), em Glasgow, na Escócia: junto a outros países, reduzir em 30% a emissão de metano até 2030. O desafio é global e passa, sobretudo, pelo estímulo à inovação e ao uso de tecnologias. Na pecuária, falar em sustentabilidade implica pensar em eficiência alimentar. 

Artigo publicado na conceituada revista Science, em 2013, sumariza um conceito fundamental: a intensificação sustentável. O termo é baseado em quatro premissas. A primeira é de que aumentar a produtividade é necessário, afinal, a população está aumentando, assim como a demanda por proteína animal. A segunda é de que mais alimentos são necessários, mas sem pressionar o ambiente. Já a terceira premissa sustenta que a segurança alimentar depende tanto da sustentabilidade ambiental quanto do aumento da produtividade em si. Ou seja, não é racional apenas pegar todas as áreas produtivas e aumentar a produção, ou a sua eficiência. 

Há locais nos quais é necessário reduzir a produção para se devolver ao ambiente o equilíbrio necessário, caso de terras próximas a mananciais, restingas e manguezais. Quando preservados, esses locais podem gerar créditos ambientais para as áreas produtivas. Por fim, a intensificação sustentável é o objetivo, mas não o meio. Cada área tem uma forma de obtê-la, algumas utilizando tecnologia de última ponta, outras métodos agroecológicos. Portanto, não há fórmula perfeita, é preciso estudar caso a caso para que a intensificação sustentável seja atingida. 

E, no Brasil, estamos caminhando em qual direção? Estudos mostram que o aumento da produtividade coincidiu com uma redução nas áreas de pastagens. Ou seja, estamos de fato aumentando a eficiência à medida que aumentamos a produção e reduzimos a área de produção. A subida do ganho de peso dos animais aumentou a performance com as melhorias das tecnologias de nutrição. Nesse sentido, há indicativo de que trabalhamos melhor com os pastos, com a lotação, com os suplementos e com as rações. Há, também, avanços na fertilidade do rebanho e do manejo sanitário. 

Todos esses aspectos são fundamentais, mas eles precisam andar lado a lado com os avanços genéticos. Dados da Associação Nacional de Criadores e Pesquisadores (ANCP) mostram que há uma melhoria crescente da tendência genética para o Mérito Genético Total Econômico (MGTe). Trata-se de um índice fundamental porque traz todas as características que impactam economicamente o sistema. Se os números melhoraram ao longo dos anos, denota que a seleção traz, cada vez mais, animais que geram mais receita ou maior valor econômico. Porém, na lista de características que compõem este índice, preponderam àquelas associadas à produção, como peso e desempenho. 

Ademais, o consumo dos animais vêm subindo gradualmente. Ou seja, a produção está aumentando, mas a que custo? Este é o alento que a eficiência alimentar nos traz: identificar dentre os animais de alta produção, aqueles que consomem menos. Por isso, a necessidade de buscar a intensificação sustentável. 

Exemplo prático disso aconteceu na avicultura. Se compararmos o peso de frangos da mesma idade, porém de linhagens exploradas nos anos 1957, 1978 e 2005, temos 905g, 1,808kg e 4,202kg, respectivamente. De onde veio isso? Da seleção de indivíduos superiores para eficiência alimentar, gerando aumento de ganho de peso de mais de 400% e redução (i.e., melhora) da conversão alimentar. 

No caso dos bovinos, é preciso procurar animais que já são de alta produção. Ou seja, selecionar um grupo de animais, submetê-lo a uma prova de eficiência, identificar os mais eficientes e levá-los para a pirâmide de multiplicação. Estes vão ter a mesma produção, mas gastando menos. Isso é fundamental, porque o custo alimentar tem crescido cada vez mais (82%, em 2019; 83%, em 2020; e 87%, em 2021). 

Fato é que a eficiência alimentar é uma das saídas para o Brasil atingir a intensificação sustentável, aumentando a eficiência econômica do sistema. E todo mundo ganha com a prática: produtores, com redução dos custos de produção; consumidores, com maior segurança alimentar; animais, com maior bem-estar; e o planeta, com impactos ambientais positivos na pecuária. 

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